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| MARIA I DA ESCÓCIA, Resumo: Maria I da Escócia | Atenção: Este artigo ou secção não cita as suas fontes ou referências. (Leia o artigo completo "Maria I da Escócia" abaixo) |
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Maria Stuart (8 de Dezembro de 1542 — 8 de Fevereiro de 1587), tornou-se rainha da Escócia com uma semana de idade, após a morte do seu pai, Jaime V da Escócia da Casa de Stuart.
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Nasceu no palácio de Linlithgow em 7 ou 8 de dezembro e morreu decapitada no castelo de Fotheringay, Northampton. Em 1612 seu corpo foi transportado para a capela de Henrique VII na abadia de Westminster. Rainha dos escoceses, foi coroada no castelo de Stirling quase ao nascer (9 de setembro de 1543) pois o pai morreu uma semana depois de seu nascimento; abdicou em 1567. Foi Rainha de França por casamento com o Delfim, depois Francisco II. Neta de Margarida Tudor, tinha direitos ao trono inglês depois dos filhos do rei Henrique VIII, seu tio-avô.
Sempre houve fascínio por sua figura trágica. Bela e culta, tinha em 1567 300 livros, uma enormidade, falava seis idiomas, tocava instrumentos musicais. Os estereótipos transformaram-na em uma mártir católica ou em uma conspiradora papista - o que sempre é difícil julgar. O que se deduz é que tinha um temperamento especial, era impulsiva, a pouca idade a tornava particularmente vulnerável a impulsos sexuais, e era católica devota, numa era de austeridade protestante em seu país.
Deveria se casar com o filho do rei Henrique VIII, o príncipe de Gales, mais tarde Eduardo VI. Ao propor o casamento Tudor, o rei, seu tio-avô, interferia na política escocesa, o que se poderia argumentar ser interesse benévolo. Mas os católicos se opunham ao casamento, Henrique VIII insistiu demais, fazendo demandas e exigências que Maria de Guise, mesmo Regente, não podia aceitar. O Regente Arran chegou a prometê-la em 1543 a Eduardo, mas o Parlamento recusou. Maria foi levada para o castelo de Stirling e Henrique deu início à sua «corte selvagem», como se disse, invadindo a Escócia, mandando para o norte um exército que incendiou Edimburgo e as abadias na terra fronteiriça, conhecida como Borders.
A guerra com a Inglaterra e a desastrosa derrota de Pinkie, em 1547, fizeram com que, diante dos ataques brutais, Maria de Guise e o cardeal Beaton tivessem a oportunidade de recuperar o controle sobre o governo. O efeito das ações inglesas foi alienar do rei Henrique todos os escoceses. Dizia-se na época: «Scotland might have come to England as a bride, but as a bondswoman she would never come» ou seja, a Escócia pode pertencer à Inglaterra como uma noiva mas jamais como serva!
Para entender o reinado de Maria, é preciso analisar como se desenrolou toda sua menoridade. O herdeiro do trono era James Hamilton, conde ou earl of Arran, que, com a Rainha Maria de Guise, fora confirmado Regente ou Governor. Maria de Guise assegurou que houvesse um partido pro-francês, com o retorno da França de Mateus ou Matthew Stuart, conde ou Earl of Lennox, que se considerava ter também direitos ao trono. Outra figura pro-franceses era o Cardeal arcebispo de Santo Anmdré, David Beaton, até seu assassinato em 1546. Após a morte de Jaime V, Beaton tentou apoderar-se do poder, mas falhou pela intervenção do partido pro-inglês e foi preso. Liberaram-no em 1543, e coroou Maria Stuart, Rainha dos Escoceses, e atraiu o regente Arran, fazendo-o abandonar o partido inglês. Tornou-se também chanceler naquele ano, mas em 1544/1545 se tornou pouco popular dadas as invasões da Inglaterra que eram em parte causadas por suas políticas anti-inglesas.
O assassinato de Beaton foi instigado pelo rei Henrique VIII, mas antes disso consolidou seu êxito militar com uma campanha de diplomacia e subornos que resultou no Tratado de Greenwich de 1543. O tratado incluía disposições para o casamento de Maria com o herdeiro do trono inglês, Eduardo. Henrique nunca ratificou o acordo, e o prospecto de domínio pelos ingleses começou a pesar no pensamento dos escoceses. Henrique iniciou então sua terrível campanha militar, liderada pelo conde ou Earl of Hertford que pilhou e saqueou 243 aldeias, dedestruiu sete mosteiros, incendiou sete cidades comerciais e arrasou quatro abadias, incluindo-se as de Kelso e Dryborough. Os escoceses sairam vitoriosos contra os ingleses em Ancrum Moor mas foram severamente batidos na batalha de Pinkie em 10 de setembro de 1547. Henrique VIII já morrera desde o início do ano, mas o Protetor dos Reinos, conde ou Earl of Somerset, ocupara o leste da Escócia meridional em nome de seu rei, Eduardo VI.
Maria Stuart foi mandada para a França em 7 de agosto de 1548, aos cinco anos, para terminar ali sua educação, de modo a casar com o delfim — estava em casa, já que a mãe, Maria de Guise, ou Maria de Guise-Lorena, que a acompanhava, pertencia à poderosa Guise. Partiu de Dumbarton para Roscoff, na França, e ficou noiva do Delfim em St. Germain. Cuidadosa e excelentemente educada durante 10 anos com os filhos de Henrique II e de Catarina de Médicis, sua amiga especial foi Isabel de Valois, rainha da Espanha quando se casou mais tarde com Filipe II. Com ele tinham ido quatro aristocratas escocesas, que ficaram conhecidas como as «quatro Marias», educadas como ela na corte, todas católicas. Tinham sido escolhidas pela Regente nas famílias com parentesco ou conexão com as casas Stewart ou com a França e eram Mary Beaton, Mary Seton, Mary Fleming e Mary Livingstone. Todas receberam apelidos, de modo que apenas Maria Stuart era chamada Maria. E Maria se transformou numa linda jovem, prendada e muito alta, quase com 1.80 de altura, e belíssimos cabelos ruivos.
Passaria na França 13 anos. Enquanto isso, na Escócia, Maria de Guise consolidava seu poder e se tornou regente única em 1554. Para muitos escoceses, a aliança francesa valia pouco mais do que a inglesa, e a ascensão do Protestantismo vinha ligada a um elemento nacionalístico. Em 1557, um grupo conhecido como os Lords of the Congregation começaram a atrair partidários.
Meses depois de sua chegada à França, Maria Tudor morreu sem filhos e o trono inglês passou para sua irmã, Isabel. Eram primas da Rainha dos Escoceses mas, por causa de seu casamento com o Delfim, Maria era a preferida pelos escoceses e o rei francês, que não considerava legítimo o nascimento de Isabel por sua mãe ser Ana Bolena, por não terem os católicos jamais reconhecido o segundo casamento de Henrique VIII, declarou em nome da nora que Maria era a rainha legal da Inglaterra. Isabel ficou furiosa, pois temia por seu trono. Maria Stuart não era para muitos apenas a herdeira do trono inglês, era a Rainha.
A cerimônia de casamento foi realizada em Notre Dame de Paris em 24 de abril de 1558: Maria casou-se com o delfim Francisco de Valois (1544-5 de dezembro de 1560) rei como Francisco II em 10 de julho de 1559 quando seu pai morreu em um torneio. Tinha 15 anos e casava com seu companheiro de infância. Como gostava de branco, vestiu-se de branco para o casamento - cor que era considerada de luto, até então.
Como o marido era fraco mental e físicamente, o jovem casal se deixou dominar pelos tios dela, Francisco de Guise, Duque de Guise e o Cardeal Carlos de Lorena. Reinaram de 1559 a 1560 apenas, e tentaram reprimir o poder crescente dos protestantes. Assinaram tratados secretos que determinavam que se Maria morresse sem herdeiros, o trono escocês passaria à França, assim como seu direito de sucessão à Coroa inglesa como bisneta de Henrique VII. Os Guises haviam tomado uma sólida posição de força e poder. Os protestantes e os nacionalistas na Escócia tinham razão de alarme. Os tratados secretos foram o primeiro dos numerosos erros políticos de Maria Stuart.
Já por volta de 1559 Maria de Guise e os Lords of the Gongregation lutavam abertamente, e como resultado, a Congregação derrubou a regente e tomou controle da cidade de Edimburgo. Tropas francesas chegaram e estacionaram em Leith, prontas para contra-atacar. Desde a morte de Henrique II em julho de 1559, Francisco II de França, marido de Maria Stuart, era rei da França e rei consorte da Escócia. Os escoceses pediram ajuda à rainha protestante, Isabel I de Inglaterra, já em guerra com a França, terminando a Auld Alliance. Em agosto, o dinheiro inglês afluiu e as tropas inglesas no ano seguinte e, em junho, inesperadamente, a Regente Maria de Guise morreu de hidropsia. A causa dos Guise entrou em colapso na Escócia.
Franceses e ingleses se entenderam em Edimburgo, e do acordo resultou 1ue todos os estrangeiros ficariam excluídos de postos no governo escocês. Um Grande Conselho do Reino (Great Council of the Realm) foi estabelecido, no qual Maria Stuart nomearia sete membros e o Parlamento cinco. Mas a Rainha recusou-se a ratificar o Tratado de Edimburgo, e o Parlamento declarou a Escócia país legalmente protestante. No Natal, o marido de Maria morreu de uma orelha infeccionada e Maria começou a fazer planos para voltar à Escócia.
Chegou em 19 de agosto de 1561, na companhia de John Lesley, tendo evitado navios ingleses enviados para interceptá-la. Maria de Guise tinha morrido depois de ser regente seis anos. Maria Tudor decidira assumir seu lugar. Estava viúva e tinha 19 anos. A morte de Francisco II dera fim à ascendência dos Guise. O poder passou à sogra, Catarina de Médicis, como regente de Carlos IX.
Como rainha viúva, tinha direito a uma grande pensão da França, onde deixara propriedades.
A revolução na Escócia, instigada pela corte inglesa que ajudava «os da religião verdadeira», irrompeu em maio. Com ajuda inglesa, logo foram vitoriosos. Havia razões dinásticas e religiosas para a política de Isabel I de Inglaterra cujo nascimento era «ilegítimo» aos olhos dos católicos. Maria Stuart, embora excluída do testamento de Henrique VIII, por nascimento podia exigir o trono. Se se mantivesse entre os dois países um estado de guerra, de modo algum poderia ser aceite, mas ofendeu gravemente Isabel ao incluir as armas da Inglaterra em seus escudos de armas. Outra perturbação foi um levante huguenote, o chamado tumulto de Amboise (de 6 a 17 de março de 1560), impossibilitando os franceses de socorrer Maria na Escócia. Por fim, a guarnição francesa em Leith foi obrigada, faminta, a se render ao exército inglês, muito maior, e os representantes de Maria assinaram um Tratado de Edimburgo, em 6 de julho de 1560). Uma cláusula poderia ter excluído do trono inglês todos os descendentes de Maria Stuart, incluindo a atual dinastia, mas Maria jamais o confirmou.
Desde que a mãe morrera em 1560 detinham o poder os Lordes protestantes da Congregação que reuniram, assim, um parlamento (o que era ilegal) para implementar a Reforma, banir a missa e a autoridade papal. Seus conselheiros principais eram protestantes, William Maitland of Lethington, talentoso diplomata, e o irmão ilegitimo de Maria Stuart, James Stewart, Conde ou Earl of Moray. Emobra inicialmente tenham planejado abertamento sua deposição, uma mudança foi-se insinuando a partir do momento em que a Rainha chegou a Leith em 19 de agosto de 1561. A Rainha inglesa lhe recusara um salvo-conduto pelo Mar do Norte por ter Maria Stuart recusado ratificar o Tratado de Leith. Recusara por ter considerado que, como estava redigido, teria que renunciar a direitos sobre o trono inglês para sempre - hesitando entre reclamar o trono imediatamente ou reclamá-lo quando e se Isabel morresse sem herdeiros, Maria Stuart preferiu deixar passar o tempo. Mas, sabiamente, recusou o convite do Conde ou Earl of Huntly para desembarcar no nordeste e se transformar em rainha católica, com ajuda do clã Gordon. E proibiu que a seu redor se mencionassem assuntos de religião em sua chegada - o primeiro sinal de tolerância religiosa.
Recebeu o entusiasmo do povo, encantados por sua cortesia, suas maneiras, sua grande beleza, mas o país fora reformado por John Knox e era uma nação protestante. O povo não tardou em temer a muito católica Maria Stuart, seus amigos, o catolicismo que vinha da França com ela.
O governo ficou entregue ao Conselho, pois ela preferia ficar em seus aposentos, com sua corte pessoal, o secretário David Riccio, o inglês Fowler, e Francisco de Busso. Com isso, os conselheiros, como Lord James Stewart e William Maitland, em posição difícil, começaram a se inquietar. Embora Maria tenha feito sempre dizer missa em sua capela, não agiu contra os protestantes, nem depois de inculpada verbalmente por Knox. Houve complôs como os do conde de ARran e o do conde de Huntley, mas nada resultou deles.
Em outubro de 1562 Maria decidiu viajar pelo reino, assistindo à derrota e morte do conde de Huntly, o maior magnata catolico. A revolução política, as enormes apropriações de propriedades da Igreja, o ódio frenético dos partidários de Knox contra os católicos tornavam impossível a restauração da ordem antiga. Maria se contentou com a nova situação, esperando provocar, com sua moderação, um gradual retorno da lealdade. Reinava, mas na verdade não governava.
De qualquer modo a situação dos católicos começou a melhorar. Em 1562 o padre Nicolau de Gouda veio visitá-la, a mando do papa Pio IV, não sem perigo para sua vida. Em suas cartas ao papa, confirma que Maria confiava em seus conselheiros com total confiança, mas vivia entre falsos amigos, e tinha-se tornado mau juiz. Todos seus infortúnios posteriores vem de ter confundido metal dourado com ouro... Outros soberanos tiveram pessoas indignas como favoritos, mas nenhum arriscou ou sacrificou-se por eles como Maria fez - repetidas vezes.
Houve numerosos candidatos à sua mão entre 1562 e 1565: o Arquiduque Carlos era o preferido do Papa; o rei Carlos IX de França, seu cunhado, era outro-; o duque de Guise, Don Carlos, filho de Filipe II de Espanha e até um protestante, o conde de Leicester, recem-enobrecido por Isabel I de Inglaterra, negociações que se arrastaram por 18 meses, e até Érico da Suécia.
Maria tentou um casamento que Isabel I aprovasse, pois tentava estar em suas boas graças de modo que fosse nomeada sua herdeira. Mas logo ficou claro que a Rainha inglesa se oporia a todos os candidatos. Assim sendo, Maria Stuart escolheu seu primo Henrique Stuart, Lord Darnley, também pretendente ao trono da Inglaterra, e católico. Parece que Maria se apaixonou por ele, bonito rapaz, e casou sem sequer esperar pela dispensa de Roma, pois eram primos, ou aprovação da Rainha Isabel I da Inglaterra. Pensava que o casamento serviria para reforçar seus direitos ao trono inglês.
Em 1561 Maria casou em Holyrood, em Edimburgo, em 29 de julho de 1565, com o seu primo Henry ou Henrique Stuart, Lord Darnley, católico-romano como ela. Nascera em Temple Newsam, no Yorkshire, em 7 de dezembro de 1546 e morreria assassinado em 9 de fevereiro de 1567. Depois do casamento, Lord Darnley foi feito conde de Ross e Duque de Albany. Era bisneto de Henrique VII e na verdade tinha pretensões às duas coroas. O rei consorte da Escócia era o filho primogênito de lady Margarida Douglas (1515-1578) filha da Rainha Margarida Tudor (viúva de Jaime IV, e de Archibald Douglas), casada com Matthew ou Mateus Stuart (1516-1571), Lord Methven, quarto conde ou Earl of Lennox.
Este segundo marido de Maria Stuart seria uma das mais enigmáticas figuras da historia escocesa. Casados no rito católico, Maria lhe deu o título de rei, mas ele exigia a coroa vitalícia e que a coroa, se Maria morresse sem filhos, passasse a herdeiros seus. De qualquer jeito, foram pais de Jaime VI (nascido em 19 de junho de 1566), como Jaime I, rei da Inglaterra, morto em 27 de março de 1625.
O casamento havia provocado outra rebelião de Lord James e outros aristocratas protestantes, extinta com a chamada Chase About Raid. Maria cedo se afastou do marido. Achava-o mutável, briguento, vicioso. Tornara-se violentamente ciumento do inocente David Rizzio, italiano, que ela promoveu a seu secretário e a ajudava na correspondência estrangeira, que por vezes a divertia com sua música. Tal amizade próxima despertava-lhe ciúmes. Surgiram acusações de que Riccio era um espião do papa. Darnley meteu-se numa conspiração com os mesmos senhores que mais tarde se rebelariam contra ele: William, Lord Ruthven; James, o conde de Morton; Lord Lindsay e outros magnatas protestantes. Havia quase tantos motivos quanto conspiradores, pois servia como demonstração protestante contra a inclinação católica da politica real. Livrariam a corte dos favoritos reais e obteriam a coroa matrimonial para Darnley, que obteria o perdão para eles e os recompensaria. O alvo era David Riccio, arrancado literalmente das saias da Rainha para ser assassinado na sua antecâmara em Holyrood. Maria Stuart, grávida de seus meses, nunca perdoou Darnley por ter posto em perigo seu filho ainda sem nascer, mesmo que houvesse uma reconciliação posterior.
Diz-se que uma noite, bêbado, Darnley invadiu os aposentos da Rainha, que ceava com seus amigos. Arrastaram Riccio para fora e o apunhalaram diversas vezes diante dos olhos horrorizados de Maria. Pouco depois, a reconciliação com o marido teria sido um artifício para tornar Darnley mais seguro de sua posição na vida dela até que fosse encontrado um jeito para se livrar dela. Com isso conseguiu separar Darnley dos demais conspiradores, que ele denunciou, escapando juntos de Holyrood para Dunbar. Ruthven e Morton fugiram para a Inglaterra. Moray foi mais tarde reinstalado no poder pela Rainha, mas Darnley se tornou objeto de desprezo por ter traido os dois lados.
Em outubro de 1566 a Rainha adoeceu em Jedburgh, em viagem pelas terras fronteirças, os Borders, fazendo mesmo testamento. Durante a recuperação se manteve afastada de Darnley, que se recusou a comparecer ao batismo católico do filho que nasceu e foi batizado Carlos Jaime ou Charles James no castelo de Stirling em dezembro de 1566. O favorito de Maria era agora outro: James Hepburn (1536-1578) que a servia com coragem e fidelidade na crise. Depois que o filho foi batizado pelo arcebispo John Hamilton, Maria começou sua relação amorosa com o conde de Bothwell.
Darnley seria encontrado estrangulado perto da cena de uma explosão por pólvora na casa onde jazia, doente, recuperando-se de uma crise de sífilis ou varíola. Maria, que já falava abertamente em divórcio, não ignorava totalmente o complô. Desde o fim de 1565 Darnley (em litígio com o regente Murray e outros nobres poderosos) e seu pai iam à missa, e estavam reconstruindo a base de poder dos Lennox Stewart, mas ele falava também em abandonar a Escócia.
Perdura o mistério sobr o verdadeiro responsável pelo que ficou conhecido como o assassinato da casa em Kirk O' Fields do lado de fora das muralhas de Edimburgo. A Rainha o visitou com frequência, chegando mesmo a dormir duas noites num quarto do andar térreo, passando a noite do domingo, dia 9, em conversa com ele. Na noite em que uma explosão destruiu a casa, seu pagem encontrou o cadáver, e seu amo tinha sido estrangulado. Bothwell divorciou-se imediatamente de sua esposa e casou-se com Maria Stuart.
A maior parte dos aristocratas implicados com ele e por ele denunciados na conspiração anterior tinha decidido matá-lo. Doente em Glasgow, fora trazido para Edimburgo pela Rainha. A casa, que pertencia à Coroa, foi destruída às 2 horas da madrugada de 10 de fevereiro de 1567. O inquérito sobre o assassinato foi realizado. A Rainha o deixara entre 10 e 11 horas da noite para comparecer a um baile mascarado em Holyrod, no casamento de um de seus favoritos. O maior suspeito foi sempre James Hepburn, o quarto conde de Bothwell.
Porque estava grávida, Maria Stuart acelerou os preparativos para seu casamento com Bothwell em Holyrood, 15 de maio de 1567.
Houvera um julgamento teatral em 12 de abril no qual James Hepburn foi libertado por seus pares da suspeita do assassinato. No dia 24 de abril, ele raptou Maria a força para Dunbar, onde ela teria consentido casar-se com ele. Interceptou a Rainha a caminho de Linlithglow para Edinburgh e levou-a sem resistência. Em 7 de maio foi promulgado o divórcio de sua mulher, Jane Gordon, por adultério com Bessie Crawford. Em 12 de maio, a Rainha o perdoou publicamente por ter-se apoderado de sua pessoa e o elevou a Duque de Orkney e de Shetland. Casaram-se numa cerimônia protestante em 15 de maio no palácio de Holyrood. (O Papa concederia, em 1570, o divórcio pedido por Maria Stuart para se livrar de Bothwell).
Bothwell deve ter tido forte influência sobre Maria, que parecia sempre precisar de um homem forte em quem se apoiar. Criança, tivera seus tios franceses. Bothwell a convenceu de que se voltasse de Stirling, onde tivera o bebê, a Edimburgo, estaria em perigo. Assim, acompanhou-o ao castelo de Dunbar onde ele poderia protegê-la. Há quem acredite que Maria foi obrigada a casar com Bothwell por terem conspirado juntos para matar Darnley. A verdade talvez seja que Maria estava atraída por ele, e a força de Bothwell compensava a fraqueza de Darnley. Deve ter pensado que livrar-se de Darnley seria fato aprovado pelo Parlamento, já que não podia se divorciar sem danificar a reputação do filho. Bothwell livrou-se da acusação de assassinar Darnley e obteve de muitos magnatas a recomendação de que deveria casar com a Rainha.
O casamento foi um dos maiores erros de Maria Stuart, uma tragédia política. A Escócia ficou mais chocada do que quando do assassinato de Darnley. Muito fingimento rodeava a Rainha. Muitos dos magnatas que se opunham ao casamento uniram-se em rebelião. O Conde ou Earl of Morton liderou um exército protestante de 3 mil homens que enfrentou as tropas reais em Carberry Hill e depois de seis horas de combate, Maria persuadiu Bothwell a fugit enquanto ela se renderia. Foi levada para o castelo de Lochleven. Não lhe custou muito perceber eu destino, pois foi obrigada a cavalgar entre os rebeldes sem comida nem descanso, sem servidores.
O exercito da Rainha se desmembrou sem combater os nobres unidos contra ela e Maria foi levada pelos lords confederados para Edimburgo, entre insultos do povo. Houve gritos na multidão que incitavam-nos a queimá-la, como era o destino das mulheres que matavam seus maridos. Foi confinada em um pequeno quarto na casa do preboste. A multidão fora continuava a exigir sua morte, de modo que, temendo por sua vida, foi removida para Holyrood mas o perigo permanecia tão grande que foi de novo levada para Lochleven. Nesse castelo, abortou os gêmeos que esperava, filhos de Bothwell, e foi forçada a abdicar em nome do filho, que foi rapidamente coroado em Stirling Jaime V. Viu-o pela última vez quendo ele tinha dez meses.
Maria escapou de Loch Leven e reuniu outra vez partidários dispostos a lutar por ela, mas perdeu outra batalha, a de Langside, em maio de 1568. Depois da batalha, fugiu por mar para a Inglaterra mas foi presa pela Rainha inglesa.
O conde ou Earl of Moray, seu meio-irmão protestante, era o Regente de seu filho Jaime V. Quando Maria escapou de Loch Leven foi seu irmão que reuniu um exército em sua perseguição. Muitos aristocratas tinham renovado fidelidade à Rainha, que diziam contar com 6 mil homens. Mas batalha de 13 de maio em Langside, nos arredores de Glasgow, durou menos de uma hora. Foi decisiva a vitória do Regente.
Três dias depois da derrota, atravessou o rio Solway e se entregou a proteção da Rainha da Inglaterra, temerosa de cair outra vez em mãos inimigas. Tinha a certeza que uma Rainha protegeria a outra.
Maria se refugiou em terras de Isabel I de Inglaterra, de quem se julgava herdeira. Elizabeth a manteve presa durante muitos anos. Alguns partidários conseguiram contacto com ela, como Ninian Winyet, mas era sempre lavada de castelo em castelo. ELizabeth e Maria Stuart jamais se encontraram.
De 1568 a 1587, Maria esteve presa em numerosos castelos: Carlisle, depois da batalha de Langside, Bolton, Tutbury, Wingfield, Coventry, Chatsworth - durante 13 anos; Sheffield, Bixton, Chartley, até Fotheringay. Tinha uma posição ambigua, e nela estavam as esperanças dos católicos ingleses.
Houve um primeiro julgamento, em York e Westmintser, em 1568; em 1571 aconteceu o chamado complô de Ridolfi; em 1586 o de seu pagem Anthony Babington, que os agentes de Walsingham conheciam desde o inicio, e foi outra vez levada a julgamento por cartas em que parecia aprovar a morte de Elizabeth. Houve em outubro de 1586 novo julgamento, o definitivo. Em 25 de outubro foi sentenciada à morte, em 1º de fevereiro de 1587 Elizabeth assinou a sentença.
Maria foi muitas vezes acusada de conspirar contra Elizabeth e esta professava sua imparcialidade, exigia provas da traição de Maria e nem depois de receber as chamadas Casket Letters, que podem ter sido forjadas para constituir a prova, Elizabeth consentiu tomar posição. Parecia temerosa de Maria, cuja posição como rainha católica legítima da Inglaterra se tornara mais perigosa para Elizabeth, especialmente depois de sua própria excomunhão. Jamais permitiu seu retorno à Escócia, onde poderia provocar uma guerra civil. Maria Stuart não deixou de encorajar complôs que a pusessem em liberdade e lhe devolvessem o trono escocês ou a colocassem no trono inglês.
Historiadores modernos tendem a encarar Maria Stuart como uma participante, embora em grau reduzido e ainda pouco claro, nos crimes de que foi acusada. Todos os bem informados católicos em Edimburgo que escreveram sobre o caso (o Padre jesuíta Edmund Hay, enviado papal; Philibert Du Croc enviado da França; Rubertino Solaro Moretta representante de Savóia; Roche Mamerot um dominicano que era o confessor de Maria, assim como o embaixador espanhol em Londres, consideram o casamento com Bothwell como uma desgraça que ofende sua virtude. O confessor exime-a de participação no assassinato do marido. A prova mais evidente, as famosas cartas encontradas num cofre, escritas por Maria a Boothwell durante a crise, em que ela aceita o assassinato de Elizabeth, não são autenticadas mas tampouco invalidadas...
Maria Stuart foi excutada afinal uma semana depois, no castelo de Fotheringay, em 8 de fevereiro de 1587. Era um dia de inverno, e Maria, cheia de dignidade como sempre, foi levada ao cadafalso. Vestia manto negro, com um véu branco sobre a cabeça, a ao despir o manto se viu que as roupas eram vermelhas. Suas últimas palavras foram para encomendar sua alma a Deus:
O verdugo teve que golpeá-la três vezes para separar sua cabeça. Verdade ou não, conta-se que o corpo começou a mover-se, quando a cabeça caiu, assustando a todos. Seu cachorrinho estava escondido entre as dobras de suas roupas. Tudo que levava, o crucifixo, o livrinho, as roupas manchadas de sangue, mesmo o bloco onde foi decapitada, foi queimado. Não devia haver relíquias. Quando o carrasco levantou sua cabeça, a peruca caiu e se viram poucos, ralos cabelos brancos.
Seus últimos desejos não foram satisfeitos. Em vez de ser sepultada na França, foi sepultada na Inglaterra. A morte não provocou emoção na Escócia.
Numa carta final a Elizabeth expressa seus últimos desejos, jamais satisfeitos:
Escreveu ainda outra carta a seu cunhado, o rei Henrique III:
«Monsieur mon beau - frere, estant par la permission de Dieu (em francês, como seu costume).
| Precedido por Jaime V |
Rainha de Escócia 1542 - 1567 |
Sucedido por Jaime VI |
| Precedido por Catarina de Médicis |
Rainha de França 1559 - 1560 |
Sucedido por Isabel de Áustria |
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